Abyssus abyssum invocat

Talvez o ponto máximo dessa criação seja justamente o entendimento que para uma vida plena basta apenas aceitar que uma vida já é o suficiente.

Abyssus abyssum invocat Abyssus abyssum invocat

Profissão de fé

O peso do crucificado é a medida do sofrimento por todos os seus pecados. Sentia o mundo se distanciar a cada conta rezada pelos seus. Pesava ele cerca de trinta talentos: o peso de Judas.

Profissão de fé Profissão de fé

Três ceguinhas

Escuridão: escuro do escuro do escuro. Preto no preto no preto da etrinidade das turvasnegras seispupilas ocas pareadas para sempre. A pessoa é para aquilo que nasce.

Três ceguinhas Três ceguinhas

ένδοξο θάνατο

Como gados aguardando o momento inclemente do abate estancamos no tempo, talvez esta seja a hora das nossas vidas, o ápice de nossos destinos mortais...

ένδοξο θάνατο ένδοξο θάνατο

Glamour

Da perdição da menina-moça ao claustro vazio da puta-velha, apenas a aceitação de um destino dominus.

Glamour Glamour

23 de fevereiro de 2008

Desideratum


Aqui está o começar de meu magnífico Desideratum: frutinho de meu rascunhar preguiçoso e procrastinado. Tudo por demais incipiente e volúvel. Muito por corrigir e mais ainda por fazer. Precisava do início, e aqui está! Precisava do primeiro passo, aquele que mesmo na direção errada inicia a jornada, e aqui está:

DESIDERATUM.

I
acódi.

qui fizz cumigu mesmu? qui fasso aqui? ondi tô? tuudu balaaanssa, tuuudu si meeexi nessssa onnnda lennta. ôoooo ondinhaaa, ondulannti, onnndulatória, onnnduladá...azuuuú!?? naum! é sssinza comu prata veia seim grassa, é ssim! assim mesmu: ssseim assins! sseim ssins...sseim ssens, sssim! pô quê mi ssinto taum, assssim, sozimmm, navegandu, boiandu, sobrevivendu – vivendú?!? – ssei lá, vivê num é prissizu...ahhh! um oceanu - nuzim! eu nu? tudu de fora, tudim fora, balanssandu... - cinzaum mi inguliu, mi tragou, mi cuspiu, regújitou min’a carni – ispíritu?! sssantu, ssantu, santinhu, sozinhu cá tô... dexei tudim p’á depois axar iii...i nada! nadá: nadá p’áquela costa croztenta di lá! viu comu tá lonjim? vô indu, nadannndu, sseim rispirá, p’ú baxu d’água clarin’a comu us oíos antigus di meu pai (ai!) – santu, é santu comu deuz dus santus meusss – mi oiando de lonjim pr’eu num vê. meu deuz táqui cumigu nadandu devagarimm, um’a péli zulada rossa min’a costaliza: zummmm, rraspanduuu, zummmm, sseim fimmm, taum calmu tô, zummmmm iii zummm ii zummmm i zum... sseim fimmm. azuuú baleia graaandiimennnssaenómiiii oia p’á mim. meduu dói ispin’a fuuunda u corassaum prrrofunnndu meu. auma ssenti piquena na imenssidaum azuuuú: auma somii du osseanu e fica azuuú côdideuzimmennnsu, azúuu cô du sséu. baleia azúuu fala p’á mim: ssou teu deuzpaipaideuz qui ti ssauvou dá sssinza agunia vida dus sseus mundus di lá fora. ssou teu paideuzdeuzpai qui ti vendeu tua vida pô um presso caru dimais. tu éz meu fio mau qui naum obedessi u qui mandu fazê. tu vai pagá caru pu tudu qui feizz contra mim. ti condenu a infinitudi di min’as istran’as intran’as seimfim a vagá sozimmm dentru di teu deuzdeuz. u qui tu terázz é u poucu qui ti dô. fassa distu u muiitu qui ti rezta. a imenssidaumaazúuu abri a boca e engoli toda aguapratavéia do osseanu seimfim. dizz o paipai cum vozz de truvaum: dágora imdianti verazz qui neim tua maim cinzza ti ssevirázz de guarida nessezz dias sseimfim qui ti reztaum. tua mainzin’a naum cantará maizz acalantus a ti pacificá. noitis di vencidus ti mautrataraum mezmu dianti du dia claru. i teus son’us, tua costacroztenta di lá, nada maizz eraum qui o dôssu arruinadu du teu dessepissionadu pai. o qui ti rezta é uutimu momentu quis se passa. morrê naum será solussaum i di nada ssevirá vivê num mundo qui naum é teu, numa vida que ti afoga na dessepissaum aviltada du unicu deuzz qui com’esseu. pobri di ti, rebentu táadiu di um futuru natimortu. valerá a pena?

Acorde.

Confirmo-me diante da vida
Outrora servo de ermas lembranças
Agora jazidas esquecidas em lamurias mansas
Minha saudosa fatídica cria
Minha valente demente semente
Minha valentia brotando docilmente


Acordando.

São cinco horas e já estou pra vida! Não, ainda são cinco horas e não acordei! Arre, são cinco horas da manhã e tenho que levantar! Assim é a vida. Assim sãos os dias e os trabalhos. Será mesmo que do ócio nasce algo frutífero que não a miséria humana? Sei lá! Apenas sei que tenho que ir lá, fazer algo e esperar o tempo necessário para... Apenas sei que tenho que levantar da cama; escovar os dentes; tomar um banho; vestir-me; comer um saudável desjejum; fechar as janelas; pegar a pasta preta; abrir a porta da frente; fechar a porta da frente; chamar o elevador; entrar no elevador; apertar o botão do elevador; aguardar no elevador; sair do elevador; ir ao carro; abrir a porta do carro; entrar no carro; fechar a porta do carro; colocar o cinto; reajustar os espelhos retrovisores; ligar o som do carro; ligar o ar-condicionado do carro; ajustar o ar-condicionado do carro; pisar na embreagem; passar a primeira marcha; ligar o carro; soltar levemente a embreagem; acelerar gradualmente; virar devagarzinho a direção à esquerda; desfazer a manobra; apertar o botão do controle remoto do portão da garagem; frear o carro...

* Texto de Roberto W.

Um comentário:

  1. "Aqui está o começar de meu magnífico Desideratum"

    Amor, essa obra começou não aqui, mas há anos atrás...
    Foi um sonho, é um sonho!, a ser realizado no SEU tempo.
    Tenho certeza que no que depender de você ficará excelente!!!
    Tem tudo para dar certo, começando por você!!!

    Beijos² e amor² da sua fisólofa (e sempre esposita)!!!

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