Diante da eminente morte arregalou os olhos desbotados: lá embaixo tudo parecia tão distante e tão insignificante frente a sua derradeira escolha.
A última frase já dissera; do último sonho já despertara; da única razão já desistira; a última das vontades já realizara: saltar o mais alto que conseguir numa última tentativa de se elevar diante de tudo o mais para todo o sempre.
Todos os borrões de uma realidade finalmente abandonada alçavam vôos vertiginosos diante os seus olhos vidrados: esboços de janelas subiam seqüencialmente como ladainhas repetitivas ao Deus dos seus enquanto garranchos alucinados de todas as cores dançavam numa tentativa desesperada de se delimitar formas reconhecíveis.
Não se sentia em queda, sentia-se pairando mansamente enquanto tudo o mais se danava a subir ferozmente, rasgando um espaço plano há muito esquecido por seus sentidos. Era como um desfile fantástico que ocorria bem ali, com ele no meio de tudo, numa demonstração final de incoerência física dos corpos a se despedirem da ingrata criatura.
Tudo subia e sumia para sempre atrás das suas costas infinitas enquanto o inevitável destino dos homens de carne e osso e espírito se abria num impactante abraço de despedida. Sem medo e sem remorsos encarou o seu abismo mais profundo. Diante da sua vontade inquebrantável se curvaram todos os destinos de todos os mundos que já existiram, existem e existirão. Todas as histórias já foram recontadas infinitamente em todas as suas possibilidades. O eterno se desfez quando o último dos homens desse mundo ousou tomar as rédeas de todas as existências do insondável destino.
(...)
E quando isso aconteceu, eu estava de olhos bem abertos abraçando o inevitável retorno a mim mesmo.
(E nunca mais existi).


oi beto!!! me de noticias menino, vc and sumido demais!
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