Abyssus abyssum invocat

Talvez o ponto máximo dessa criação seja justamente o entendimento que para uma vida plena basta apenas aceitar que uma vida já é o suficiente.

Abyssus abyssum invocat Abyssus abyssum invocat

Profissão de fé

O peso do crucificado é a medida do sofrimento por todos os seus pecados. Sentia o mundo se distanciar a cada conta rezada pelos seus. Pesava ele cerca de trinta talentos: o peso de Judas.

Profissão de fé Profissão de fé

Três ceguinhas

Escuridão: escuro do escuro do escuro. Preto no preto no preto da etrinidade das turvasnegras seispupilas ocas pareadas para sempre. A pessoa é para aquilo que nasce.

Três ceguinhas Três ceguinhas

ένδοξο θάνατο

Como gados aguardando o momento inclemente do abate estancamos no tempo, talvez esta seja a hora das nossas vidas, o ápice de nossos destinos mortais...

ένδοξο θάνατο ένδοξο θάνατο

Glamour

Da perdição da menina-moça ao claustro vazio da puta-velha, apenas a aceitação de um destino dominus.

Glamour Glamour

17 de dezembro de 2009

Ponto de mutação


Por que não mudar nossas perspectivas? Certamente, as rupturas existentes no Sistema atual não são apenas pontos isolados de um todo previsível e fechado que nos possibilita entender e especular a vida. Trata-se de um Sistema esgarçado e limitado, onde não cabe mais uma Ciência nova e abrangente, orgânica e flexível, onde os Dogmas de antanho parecem por demais mesquinhos e contraditórios frente aos  desafios vindouros de um necessário e complexo mundo clamante por novas descobertas e possibilidades. Possivelmente, eis que chegamos uma vez mais na beirada de um abismo, onde um novo mundo nos é descortinado "novamente" e onde novos olhares são mais do que bem-vindos, são imprescindíveis.





Na parte final do filme Ponto de mutação, de Bernt Capra, clássico dos clássicos - recente, é bem verdade -, a ser "passado" aos calouros universitários de todas as partes, é declamado por Thomas:

As Uvas e o Vento
Pablo Neruda 

(...) Tu perguntas o que a lagosta tece
Lá embaixo...
Com seus pés dourados.
Respondo que o oceano sabe.
E por quem a medusa espera,
em sua veste transparente?
Está esperando pelo tempo, como tu.
Quem as algas apertam
Em seu abraço... perguntas...
Mais firme que uma hora e
Um mar certos? Eu sei.
Perguntas sobre a presa Branca do narval...
E eu respondo cantando como
Unicórnio do mar, arpoado, morre.
Perguntas sobre as plumas do rei-Pescador...
Que vibrou nas puras
Primaveras dos mares do sul.
Quero te contar que o oceano
Sabe isto: que a vida...
Em seus estojos de jóias,
É infinita como areia,
Incontável, pura; e o tempo,
Entre as uvas cor-de-sangue...
Tornou a pedra dura e lisa,
Encheu a água-viva de luz...
Desfez o seu nó, soltou
Seus fios musicais...
De uma cornucópia feita
De infinita madrepérola.
Sou só a rede vazia diante dos
Olhos humanos na escuridão...
E de dedos habituados à longitude
Do tímido globo de uma laranja.
Caminho, como tu, investigando
A estrela sem fim...
E em minha rede, durante
A noite, acordo nu.
A única coisa capturada
É um peixe...
Preso dentro do vento
Investigando a estrela sem fim...


*   Texto de Roberto W.

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